sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
A "inspiração" não vem para todos
Por: Raquel de Queiroz - (Última crônica que ela escreveu)
A noção comum que se tem a respeito do escritor é que pessoas excepcionais, nascidas com o dom de escrever bem o belo, são periodicamente visitadas por uma espécie de iluminação das musas, ou do Espírito Santo, ou de um outro espírito propriamente dito - fenômeno a que se dá o nome de "inspiração". O escritor fica sendo assim uma espécie de agente ou médium, que apenas capta as inspirações sobre ele descidas, manipulando-as no papel graças "aquela" dom de nascimento que é a sua marca.
Pode ser que existam esses privilégiados - mas os que conheço são diferentes. Não há nada de súbito, nem de claro, nem de fácil. O processo todo é penoso e dolorido - e se pode comparar a alguma coisa, digamos que se parece muito com um processo fisiológico - que se asemelha terrivelmente a uma gestação, cujo parto se arrastasse por muitos meses e até anos.
Começa você sentindo vagamente que tem umas coisas para dizer ou uma história para contar. Ou, às vezes, ambas. Fica aquilo lá dentro, meio incômodo, meio inchado (na minha terra se diria como "uma dor incausada"), quando um belo dia a coisa dá para se mexer. Surgem frases já inteiras, surgem indefinições que, se você for ladino bastante, anota para depois aproveitar; mas se for o contumaz preguiçoso confia-as à memória e depois as esquece. Dentro da enxurrada de frases e de idéias aparecem, então, as pessoas. Surgem como desencarnados numa sessão espírita-timidamente, imprecisamente. São uma cabeça, uma silhueta, uma voz. Neste ponto, com as frases, pensamentos e criaturas (emormente com o cenário, embora ainda não se haja falado nele), nessa altura, a história já se arrumando.
Você sabe mais ou menos o que contar. Os autores meticulosos, nessa fase dos acontecimentos, já delinearem o que eles costumam chamar de "o plano de obras", ou seja, um esqueleto do enredo. Se é um romance, o esquema será mais amplo - os claros serão facilmente preenchíveis. A história corre a bem dizer por si.
Mas se se trata de teatro, o esquema bem linear é imperioso: aquilo tem de ser como um pingue-pongue, ter um crescente constante, uma economia, uma nitidez...
E então chega um dos piores momentos nessa fase embrionária da obra por escrever. O autor enguiça. Falta-lhe imaginação para desenrolar o resto da história. Falta a centelha necessária para criar a situação única, indispensável, climática, que será como a tônica do trabalho.
E a gente fica numa irritabilidade característica, e numa pena enorme de Deus Nosso Senhor, que é obrigado a dirigir as histórias não apenas de um punhado de personagens mas os milhões de viventes que andam pelo mundo - e se concebe um respeito trêmulo pela divina capacidade de intenção, que tão pouco se repete e tão invariavelmente cria...
Talvez com autores de imaginação rica o fenômeno se passe diferente. É provável que eles, ao contrário de nós, os terra-a-terra, primeiro imagem um enredo e depois, segundo as necessidades desse enredo, vão criando os personagens e os situando no tempo e no espaço. Aí a sensação criadora deve ser plenitude e gratificação. Mas esses são os estrelos. A arraia miúda escrevente - ai de nós - é mesmo assim como eu disse: pena, padece e só então escreve.
Tenho um carinho especial, por está última crônica escrita por Raquel de Queiroz. Guardo o recorte do jornal com o texto acima, desde 2003, ano de sua morte, e ano que comecei a escrever meu segundo romance "Enquanto as hélices giravam...". Grifei alguns parágrafos, ao me encontrar entre as reflexões dela, durante o meu processo literário.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Armindo Trevisan
"Que bom é ser qualquer coisa, assim, ao léu,
uma pluma de vender, um pensamento, um chapéu,
enfim ser, tão-somente isto, ser apenas pelo meio,
sem um nome, sem um misto de ancoragem ou de enleio,
ser nada (não é possível)
ser tudo (mas é demais)
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
1911
Em 1911, aconteceu algo que considerei fantástico. Subi num aeroplano! Os aeroplanos eram, é claro, um dos principais temas de conjecturas, discussões, ceticismo, e tudo o mais. Quando eu estava no colégio em Paris, fomos um dia assistir a uma das tentativas de Santos Dumont para subir, no Bois de Boulogne. Tanto quanto me lembro, o aeroplano subiu, voou alguns metros e depois caiu. De qualquer modo, foi impressionante!
Por: Agatha Christie - autobiografia
Por: Agatha Christie - autobiografia
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
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